Arraiá do Ribuliço fala da contribuição dos povos negros e indígenas na formação da cultura nordestina

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O grupo de quadrilha junina “Arraiá do Ribuliço” tem seu marco inicial inspirado e alicerçado na obra do poeta servidor público e popular altaneirense Antônio Rodrigues dos Santos, conhecido nas terras altas como Ribuliçu, falecido no começo do século XXI e início do terceiro milênio (2001).

Tendo como finalidade ser referência de cultura popular no município e homenagear o poeta, o Arraiá foi criado e lançado oficialmente em março do corrente ano com 60 (sessenta) jovens envolvidos diretamente, buscando, outrossim, preencher uma lacuna nos festejos juninos que há anos não se via uma agremiação que representasse o município na região.

Esse grupo é marcado, pois, pela tendência “Ribuliciana” em sistematizar e sintetizar elementos e figuras da cultura nordestina tão presentes na forma de ser de Ribuliço e em suas poesias que retratavam os costumes dos altaneirenses e dos demais povos da região do cariri.

No seu primeiro ano de competições, traz para o cenário símbolos que marcam o (a) nordestino (a) e que foram frutos das contribuições de três grupos – os (as) negros (as) africanos (as), indígenas e os ibéricos (portugueses e holandeses), fazendo alusão ao período em que o Brasil esteve sob o domínio português e expondo os dois primeiros grupos aos mais variados castigos físicos e psicológicos- tendo a escravização como o pior deles – mas que mesmo assim deixaram esse grande legado. Com forte inspiração no Movimento Armorial, criado na década de 70, do século passado, que tem buscado focar suas atividades no trabalho com música, dança, cinema, teatro, artes plásticas, literatura, arquitetura, entre outras expressões, o Arraiá do Ribuliço está levando para os palcos o tema “Ibérico, Negro e Tapuia*, Azul e Encarnado a História do Sertão Encantado”.

A temática desenvolvida foca nos três grupos, os portugueses/holandeses, negros (as) e indígenas que em uma relação conflituosa contribuíram em vários campos e aspectos para a formação do Brasil.

Mesmo com apenas três meses de ensaio, a agremiação junina já participou de vários festivais e vem acumulando bons resultados, como dois terceiros lugares nas cidades de Farias Brito e Várzea Alegre (foto ilustrativa deste post).

O Servidor Público Alan Cirino (centro) recebendo o troféu de 3º lugar em Várzea Alegre. Foto: João Alves.

O Servidor Público Alan Cirino (centro) recebendo o troféu de 3º lugar em Várzea Alegre. Foto: João Alves.

Segundo o organizador do Arraiá, o servidor público Alan Cirino, os resultados são muito satisfatórios mesmo estando na fase de afirmação e os integrantes estarem no seu primeiro ano. “Nossa população pode esperar porque vem maiores conquistas”, realçou.

Para o prefeito Dariomar Soares, a formação do grupo representa uma das propostas de campanha que era fomentar a cultura local e inserir os jovens em atividades que gerem boa convivência e conhecimentos.

A agremiação junina tem como marcador e coreógrafo o servidor da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, Antônio Cláudio Monteiro Chuppil; A estudante da rede municipal de ensino, Victoria Isabelly, está na função de Rainha e o casal de Noivos é formado por um estudante do ensino médio e uma universitária, Tiago Fernandes e Paloma Caldas, respectivamente

O Homenageado

Antonio Rodrigues dos Santos (Ribuliço). Foto: Divulgação.

Antonio Rodrigues dos Santos (Ribuliço). Foto: Divulgação.

Além de poeta, Ribuliço foi servidor público exercendo a função de motorista por mais de 10 anos, entre as décadas de 80 e 90, do século passado, em uma camionete Ford F-1000, mas que passou a figurar no imaginário dos altaneirenses como “Burra Preta”.  Com ela, conduzia muitos pacientes para cidades vizinhas como Crato, Juazeiro e Barbalha (Crajubar).

Em agosto de 2013, o Poder Legislativo Municipal aprovou um projeto de lei de autoria do Vereador Flávia Correia em que nomeou o Espaço Cultural do Parque de eventos de Antonio Rodrigues dos Santos, o Ribuliço.

*Tapuia – Povo pertencente a etnia indígena. No período colonial brasileiro, dividiam-se os índios em dois grandes grupos: os tupis, que habitavam principalmente o litoral e os tapuias, que habitavam as regiões mais interiores e que falavam, principalmente, línguas do tronco macro-jê.

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